PPM solicita a intervenção da Procuradoria-Geral da República sobre a falsificação de informação e possível favorecimento no caso do avião privado chinês que aterrou em Ponta Delgada

Um avião privado com 11 passageiros e três tripulantes a bordo, alguns de nacionalidade chinesa, aterrou no passado 1 de fevereiro em Ponta Delgada, nos Açores. O voo saiu originalmente de Hong Kong. A informação disponível refere que os passageiros e a tripulação foram impedidos de sair do avião nas várias escalas por ele realizadas devido ao risco de transmissão do coronavírus.

O Governo dos Açores, através do Gabinete de Apoio à Comunicação Social informou que “as autoridades de Saúde Pública dos Açores garantem inexistência de risco relacionado com voo proveniente do Haiti”.

A nota do GaCS refere também que “a Coordenadora Regional, Ana Rita Eusébio, e o Delegado de Saúde Pública de Ponta Delgada, Eduardo Cunha Vaz, já confirmaram que não existe qualquer risco específico para a saúde pública relacionado com um voo particular que aterrou sábado no Aeroporto de Ponta Delgada, proveniente do Haiti. O voo saiu de Hong Kong há mais de 15 dias, tendo passado por Japão, Islândia, França e Haiti. Nenhum dos 11 passageiros e três tripulantes provém de Wuhan, na China, nenhum teve qualquer contacto com pessoas suspeitas de infeção por coronavírus e nenhum apresenta qualquer sinal ou sintoma de doença”. Finalmente, a nota do GaCS alude ainda ao facto que “considerando o período de quarentena recomendado de 14 dias, não houve necessidade de qualquer precaução especial para proteção da saúde pública.

Ora, sabe-se agora, que a informação fornecida pelo Governo Regional, segundo a qual o voo saiu de Hong Kong há mais de 15 dias, é falsa. Na verdade, o voo saiu de Honk Kong apenas no dia 25 de janeiro (8 dias). Isto significa que, ao contrário do que o GaCS afirmou, o período de quarentena recomendado (14 dias) não foi ultrapassado. Faltam 6 dias. Ou seja, justificava-se, ao contrário do que disse o Governo Regional através do GaCS, a adoção de medidas de precaução especial para proteção da saúde pública. Foi certamente essa a situação que justificou a recusa de desembarque dos passageiros em todas as outras escalas.

Temos sérias suspeitas que poderá ter ocorrido uma situação de favorecimento a um conjunto de milionários, cujo desembarque foi impedido em todos os outros países. No sentido de ocultar a situação de favorecimento, foi forjada informação falsa em relação à verdadeira data de saída da aeronave do território chinês (Hong Kong).

A Representação Parlamentar do PPM considera muito grave o conjunto de procedimentos adotados pelas entidades regionais envolvidas, pelo que decidiu realizar os seguintes procedimentos:

  1. Expor o caso à Procuradoria-Geral da República;
  1. Solicitar a audição urgente, em sede de comissão parlamentar, da Secretária Regional da Saúde, da Secretária dos Transportes e Obras Públicas e do coordenador do Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GaCS);
  1. Solicitar a realização de todos os procedimentos adicionais que se impõe, no sentido de assegurar a minimização do risco de transmissão do coronavírus, que resultam da não adoção dos procedimentos corretos, algo que sucedeu devido ao facto das autoridades terem presumido – de forma errada – que o período de quarentena recomendado já tinha sido cumprido.

foto/JEdgardo Vieira

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