Mais de 7 mil profissionais de saúde já morreram durante a pandemia

Wuhan, província de Hubei 3001 2020 Peng Zhiyong , chefe do departamento de medicina intensiva do Hospital Zhongnan, verifica o registro do diagnóstico de um paciente com seu colega na UTI (unidade de terapia intensiva) do Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan em Wuhan, província de Hubei, na China Central, foto Governo China

Mais de sete mil profissionais de saúde já morreram em todo o mundo após terem sido infetados com covid-19, o que revela “uma crise a uma escala impressionante”, concluiu uma nova investigação da Amnistia Internacional.

OMéxico é o país que encabeça a lista, com pelo menos 1.320 vítimas, seguido dos Estados Unidos (1077) e Reino Unido (649), revela o comunicado da Amnistia Internacional a que a Agência Lusa teve acesso.

Já nações como a Índia (573) e África do Sul (240) “apresentam mais casos nos últimos meses” de vítimas mortais de profissionais de saúde infetados.

Para o responsável da Justiça Económica e Social da Amnistia Internacional, Steve Cockburn, “a morte de mais de sete mil pessoas enquanto tentavam salvar outras vidas é uma crise a uma escala impressionante”.

“Todo o profissional de saúde tem o direito de estar seguro no trabalho e é um escândalo que tantos estejam a pagar o preço mais elevado”, sublinha.

Steve Cockburn alerta ainda que “tantos meses depois do início da pandemia, os trabalhadores da saúde continuam a morrer a níveis terríveis, em países como México, Brasil e EUA”.

“A rápida disseminação das infeções na África do Sul e Índia mostra a necessidade de todos os Estados agirem”, aponta.

“Deve haver cooperação global para garantir que todos os profissionais de saúde recebem equipamentos de proteção adequados, para que possam continuar o seu trabalho vital sem arriscar as próprias vidas”, conclui Steve Cockburn.

Em 13 de julho a Amnistia Internacional tinha divulgado um relatório onde registava a morte de mais de três mil trabalhadores de saúde por covid-19.

Agora, o relatório mais recente desta organização aponta que os últimos números “são impulsionados pelo aumento das taxas de infeção em vários locais, bem como pela disponibilidade de novas fontes de dados”.

O documento realça ainda que os dados nem sempre podem ser diretamente comparáveis devido aos diferentes métodos de recolha usados e às definições dos profissionais de saúde usadas nos vários países.

“É também provável que estes números correspondam a uma estimativa significativamente mais baixa, graças à subnotificação dos casos pelas autoridades nacionais”, atira ainda.

O relatório da Amnistia Internacional explora ainda a situação da pandemia no Brasil, onde pelo menos 634 trabalhadores de saúde morreram infetados com covid-19.

Segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), os profissionais de saúde reclamam a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), a falta de protocolos claros para o tratamento das infeções, a ausência de suporte de saúde mental ou os contratos precários para os trabalhadores recrutados em caráter de urgência, revela o documento.

A investigação da Amnistia Internacional foi realizada através da análise de dados relativos a mortes entre profissionais de saúde, obtidos através de várias fontes.

“As fontes incluem obituários, figuras governamentais, listas compiladas por associações médicas nacionais e listas e obituários publicados na comunicação social em todo o mundo”, explica o relatório.

A pandemia do coronavírus que provoca a covid-19 já provocou pelo menos 857.824 mortos e infetou mais de 25,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.827 pessoas das 58.633 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

foto/DR

Lusa/AExpresso