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Açores Expresso

Editor / Diretor: João Edgardo Vieira

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Um vencedor e a gritaria de um perdedor – Sónia Nicolau

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Jan 30, 2021

Parabéns prof. Marcelo Rebelo de Sousa, reeleito Presidente da República com mais de 2.533.839 votos. Mais descansada fiquei ao recordar que em 2019, o PS obteve 1.908.036 votos e o PSD e CDS-PP obtiveram 1.679.478. É legítimo, matematicamente, aferir, por extrapolação, que cerca de 854 361 militantes e simpatizantes socialistas votaram no vencedor. Assim sendo, Marcelo Rebelo de Sousa foi fortemente eleito pela sua família política, e bem!

Reconfiguração da direita

Os resultados eleitorais das Presidenciais 2021 demonstram a reconfiguração da direita em Portugal, uma derrota para a extrema-esquerda e uma vitória para a extrema-direita. Ana Gomes, falhou nos objetivos traçados, tendo-se afirmado como a mulher mais votada desde sempre. Travou André Ventura, o gritador, que poderia ter sido o 2o mais votado – obrigada, Ana Gomes!

Portugal passa a ser o país onde a extrema-direita está equilibrada com a esquerda socialista democrática. Está-se a normalizar a extrema-direita.

Reconfigurar objetivos e ações dos partidos que são a favor de um Estado de Direito.

Em artigo anterior referi que combater a extrema-direita não se faz por exclusões, por manifestações contra, mas sim pelo combate de ideias, pela reconfiguração dos objetivos e ações dos partidos, ditos, tradicionais com proclamação e ação democráticas a favor de um Estado de Direito. Os resultados de domingo passado demonstram que, ou esses partidos acertam o azimute nas suas posições democráticas ou rapidamente teremos políticas extremistas contra os direitos humanos, a integraremos Governos.

E se no domingo fosse a eleição para a Assembleia da República.

Desta campanha (mais uma), foi notório que há uma percentagem de pessoas que estão insatisfeitas com os partidos de esquerda e de direita, resultando na transferência do seu voto para o CHEGA! – Se no domingo o ato eleitoral fosse para eleição da Assembleia da República, o CHEGA! seria a terceira força política no parlamento, com votos da periferia das cidades, dos concentrados no interior continental e das Regiões Autónomas. Um pouco por todo o país há resquícios de extrema-direita.

Vamos ficar de braços cruzados?

A pergunta que se impõe é: o que os partidos políticos e a sociedade, fortemente associado ao modelo educativo e à cultura, irão fazer para travar o crescimento da extrema-direita que põe em causa o nosso Estado de Direito e os fundamentos da Democracia?

Um dos maiores desafios dos partidos políticos e da sociedade é o combate à extrema-direita que responde a um crescente número de eleitores que têm uma perceção de ineficácia dos partidos tradicionais. Se dúvidas existissem, recorde-se as palavras do Deputado Carlos Furtado “… o Dr. André Ventura não é uma ameaça para coisa nenhuma, é apenas mais uma alternativa à democracia, uma boa alternativa à Democracia e o tempo provará isso mesmo”.

Ditadura, é o que nos espera? Se nada fizermos, os ditos Messias enviados por Deus – uma afronta para com o segundo mandamento -, líderes de extrema-direita, irão imergir e apoderar-se-ão de Nações, tal como no passado. Queremos que a história se repita?

foto/ DR

Sónia Nicolau