A Câmara Municipal do Corvo anunciou o início de um período de cortes de água

A Representação Parlamentar do PPM alertou repetidamente, ao longo do último ano, a Câmara Municipal do Corvo, o Governo Regional e a opinião pública para as consequências potencialmente devastadoras do acordo de cavalheiros existente entre a Câmara Municipal do Corvo e o Consórcio Somague-Ediçor Engenharia, S.A., que permitiu a esta empresa retirar gratuitamente milhares de litros diários de água dos reservatórios agrícolas e das lagoas artificiais que abastecem a Vila do Corvo.

Só no mês de Agosto de 2018 é que a empresa deixou de se abastecer de água doce e passou a utilizar a água do mar, como devia ter feito desde o início. Entretanto, os reservatórios agrícolas secaram durante o verão (com exceção de um, apenas acessível a veículos com tração 4×4) afetando gravemente os agricultores da ilha. Ainda assim, a mesma empresa reiniciou em Setembro a utilização de água doce para as obras de requalificação da pista do aeroporto, mantendo essa utilização até à semana passada.

Como também tínhamos alertado – enviando inclusivamente fotografias para a comunicação social – os milhares de litros que o Consórcio Somague-Ediçor Engenharia, S.A., retirou ao longo de muitos meses das lagoas artificiais, deixou estas últimas com reservas mínimas.

Perante a iminência da rutura total das reservas de água e a interrupção do abastecimento de água às populações, a Câmara Municipal do Corvo anunciou hoje cortes diários no abastecimento de água às populações, que superam as 14 horas de restrição diárias. A situação é muito grave e se nada for feito, as reservas de água das lagoas artificiais podem esgotar-se completamente nos próximos dias.

Nestas circunstâncias, o Presidente da Câmara Municipal do Corvo, depois de ter permitido o abastecimento gratuito de milhares de litros de água ao Consórcio Somague-Ediçor Engenharia, S.A., pede agora “bom senso à população na utilização da água, evitando gastos desnecessários desse bem tão precioso”. Isto apesar, diz o Presidente da Câmara Municipal do Corvo, da “constante gestão que tem sido feita deste recurso”.

É preciso não ter um pingo de vergonha e agir com um sentimento total de impunidade. Fala em bom senso o homem que destruiu as reservas hídricas da ilha do Corvo ao longo de meses e meses de utilização de milhares de litros de água diários.

A Representação Parlamentar do PPM exige a imediata intervenção das autoridades judiciais para apurar a responsabilidades pessoais do Presidente da Câmara Municipal do Corvo no âmbito da calamitosa e criminosa gestão das reservas de água da ilha do Corvo, que decorreu ao abrigo de um acordo de cavalheiros realizado entre ele próprio e o Consórcio Somague-Ediçor Engenharia, S.A.;

Exigir ao Governo Regional que abandone a atitude de absoluta conivência com a gestão irresponsável das reservas de água que o Presidente da Câmara Municipal do Corvo realizou ao longo de todo este tempo e faça deslocar urgentemente uma equipa de especialistas em gestão de reservas de água para montar um plano de contingência. As informações que temos é que estamos à beira da rutura total do abastecimento das populações.

Não se espere que o Presidente da Câmara Municipal do Corvo tome as medidas que se impõe. O seu objetivo é ocultar, enquanto lhe for possível, as enormes responsabilidades pessoais que tem na rutura das reservas hídricas da ilha. Intervenção imediata e competente do Governo Regional. Já! Enquanto é tempo!

Seguem em anexo notícias anteriores nas quais alertávamos para esta situação, assim como as fotografias que exibimos há 3 meses no Parlamento. Infelizmente as nossas previsões revelaram-se corretas.

 

AExpresso Online