“Derrubar: a palavra de ordem” – Opinião Sónia Nicolau

“Derrubar”. Esta é a palavra de ordem do líder do maior partido da oposição nos Açores. Derrubar o PS.
Atingimos nos Açores o populismo frenético sob a bandeira de um PPD, que parece querer recuperar o PSD, que não ficou resolvido na sua génese. Num congresso com uma “lição” ideológica que confunde os mais atentos, parece querer assumir uma social-democracia que exige mais governo pelas mãos do PPD/PSD.

Confuso? É caso para tal, perante uma moção básica e num discurso populista, onde o foco não é a social-democracia , o liberalismo ou o interesse futuro dos Açorianos— de pouco importa – o foco é derrubar o PS.

Um PPD/PSD que nos últimos anos se assumiu como liberal e que por cá nunca foi contrariado. Aliás, por cá dizia-se que havia governo a mais e sociedade a menos. Estas contradições com políticos do momento e políticas para o momento não contribuem para responder às pessoas, não apenas ao presente, mas ao seu futuro.

A diferença entre o populismo e o superior interesse de cada Açoriano, está no foco a derrubar.

Derrubar, é a nova palavra de ordem do maior partido da oposição com uma nova liderança, mas velhos hábitos. O hábito velho do poder pelo poder. A provar está a posição dos TSD (Trabalhadores Social-Democratas) que estão contra o Orçamento de 2019, mesmo perante a valorização salarial para os funcionários públicos.

O alvo a derrubar é o PS, mesmo que se chumbe o orçamento para 2019 que, tanto cá como no Continente, garante a reposição de vencimentos e a valorização salarial – o PSD é contra este orçamento, tal como foi contra o aumento de pensões, a valorização salarial e o descongelamento de carreiras entre 2011 e 2018 – desde 2016 que se prova que era possível ter feito diferente. E, mesmo agora na fingida defesa da recuperação do tempo de serviço aos professores, em 2008 este PPD/PSD não esteve ao lado dos professores na recuperação de dois anos de serviço.

Enquanto uns se entretêm com “batalhas navais” para a conquista do poder e tudo prometem para o atingir, outros trabalham para derrubar a pobreza e os entraves à inovação e à valorização dos produtos, para responder ao Açoriano que está desempregado, à criança que não tem sucesso na escola e ao Açoriano que aguarda por uma cirurgia. A diferença está no foco.
É certo que o PSD tem um único foco (o PS) e o PS e os Governos Socialistas têm muitos e diferentes focos para derrubar.

A batalha é desigual. Mas por cada desafio que o PS derruba é um Açoriano com melhores condições de vida e um melhor futuro para os Açores – e isto sim vale todas as batalhas.

 

Sónia Nicolau