Chefe de gabinete do PAN suspeita de ligações a grupo extremista de defesa dos animais

A Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária e o Ministério Público estão a investigar o grupo Intervenção e Resgate Animal (IRA) por crimes como assalto à mão armada, sequestro e terrorismo. Cristina Rodrigues, membro da comissão política e chefe de gabinete do PAN, será suspeita de estar ligada aos encapuzados.

O grupo em causa diz resgatar animais maltratados, mas, contam as vítimas, a atuação vai mais longe: roubam-nos, fazem perseguições armadas aos donos e ameaçam quem os enfrenta. Têm armas, drones e, segundo a TVI, ligações ao partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN).

A informação foi divulgada por aquele canal de televisão, numa reportagem sobre o grupo, emitida na quinta-feira à noite. De acordo com os jornalistas Ana Leal e André Carvalho Ramos, que falaram com um membro do IRA e com vítimas do grupo, a Polícia Judiciária suspeita que Cristina Rodrigues seja uma das pessoas que surgem encapuzadas em pelo menos um dos vídeos de propaganda veiculados pelo mesmo.

Em declarações àquele canal de televisão, questionada sobre se integrava o grupo de encapuzados que surgem nos vídeos em causa, Cristina Rodrigues recusou responder diretamente: “Enquanto advogada estou sujeita a sigilo profissional, portanto não poderei nem irei revelar nada que possa comprometer esse sigilo.”

Ainda assim, assumiu que é representante legal do IRA, tendo inclusive assinado queixas à polícia da parte daquela associação. “Ajudo pro bono algumas associações, sendo esta associação uma delas. As queixas são feitas em nome do IRA ou com procuração. Ou seja, são em nome do IRA com uma procuração assinada em meu nome”, justificou.

De acordo com a TVI, Cristina Rodrigues, que foi também candidata do PAN à Câmara Municipal de Sintra, tratou do processo que permitiu ao IRA ser recebido na Assembleia da República pelo partido.

O deputado do PAN, André Silva, garantiu que o PAN não tem “qualquer tipo de relação” com o IRA, negando inclusive ter “conhecimento” do modo de atuação do grupo, mas, mais à frente na reportagem, acabou por mostrar saber mais do que alegava. “Eles não recebem qualquer tipo de dinheiro, eles nunca pedem qualquer tipo de dinheiro”, defendeu o deputado.

Depois a peça jornalística ser emitida, o IRA publicou uma mensagem no Facebook, a refutar várias das passagens da reportagem. “Depois de observarmos a reportagem com máxima atenção, concluímos que teremos tarefa super fácil em refutar todos os disparates e montagens/edições áudio e vídeo”, lê-se no início da publicação, que depois elenca algumas explicações do grupo face às acusações expostas na reportagem.

 

 

AExpresso Online