Desemprego Jovem em Meio Rural – Opinião Sofia Ribeiro

Organizei há dias, no Parlamento Europeu em Bruxelas, uma mesa-redonda sobre os jovens que não têm emprego, não estudam nem estão em formação (NEET) em meio rural, correspondendo a um desafio do investigador Terceirense Francisco Simões. Este é um drama comum a toda a União Europeia (afectando cerca de 15,8 milhões de jovens), e que tem um forte impacto no nosso país e na nossa Região.

Os jovens NEET têm o futuro em suspenso, muitas vezes com a alma hipotecada face à falta de oportunidades. O fenómeno é mais expressivo em meio rural, o que certamente está relacionado com as menores diversidade e quantidade de oportunidades de trabalho por comparação com meios citadinos, bem como com as menores taxas de escolarização, por factores similares no que concerne ao prosseguimento de estudos, já para não deixar de mencionar as diferenças entre géneros, representando a taxa de mulheres NEET 165% da taxa de homens na mesma situação.

Não podemos esperar que todos os jovens do meio rural se dediquem a actividades correlatas com a ruralidade, não obstante ainda haja muito a fazer na adaptação de oportunidades de trabalho a este meio. A nível de políticas de formação e de emprego, há que descentralizar serviços e apostar em novos canais de comunicação e nas novas tecnologias que minimizem os efeitos da periferia, para que os jovens não fiquem reduzidos ao meio de que provêm, mas há que apostar também na qualidade das respostas rurais. O trabalho agrícola ou nas pescas não pode continuar a ser encarado socialmente como uma actividade menor e deve ser prestigiado essencialmente através do investimento em formação de qualidade, com recurso a novas técnicas e tecnologias de ponta, contribuindo para que estes sectores deixem cada vez mais de ser de subsistência, mas de progressão social. Há que investir, por exemplo, em novas formas de turismo, não apenas o tradicional turismo rural, quando restringido à recuperação de casinhas. Há que potenciar o agro-turismo, a pesca-turismo, o turismo cultural e o turismo de natureza, de que já temos alguns bons exemplos nos Açores, bem como nos serviços correlatos, dando resposta a nichos qualitativos de população que procuram respostas diferenciadas nas suas férias, mais ligadas à natureza e às tradições. O programa comunitário Garantia Jovem e os fundos de coesão podem ser mais orientados para a criação de emprego sustentado visando estes objectivos específicos, não se focando tanto em estágios essencialmente nos serviços, como hoje sucede, de forma absolutamente indistinta.

De uma forma global, concluímos que a abordagem a este problema não pode obedecer a um padrão totalmente indistinto, sendo necessário diferenciar abordagens individuais e os contextos específicos de cada meio, o que implica a criação de plataformas multidisciplinares de avaliação, aconselhamento e acompanhamento. Para que se possam delinear políticas adequadas a cada situação, é fundamental que nos baseemos em dados fidedignos e expressivos das realidades mais particulares, pois as políticas-padrão não estão a providenciar as respostas mais eficientes. Não existe um, mas vários meios rurais que, sendo naturalmente distintos dos urbanos, exigem respostas diferenciadas.

 

 

 

Sofia Ribeiro