Governo dos Açores afirma que região não é pobre e pede “abordagem séria” ao tema

Política Regional

O secretário regional adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares defendeu ontem que a região não é pobre, apesar de ter “alguns focos de pobreza”, pedindo uma “abordagem séria” e que não se retirem “dividendos político-partidários” do problema.

“No combate à pobreza e em todo o debate público que tem sido desenvolvido no âmbito do combate à pobreza, é importante fazer uma abordagem séria e intelectual e politicamente honesta, ou seja, nós não podemos – porque daqui se podem tirar dividendos e benefícios político-partidários – querer tentar fazer dos Açores uma região pobre, quando aquilo que os Açores são é uma região com alguns focos de pobreza, que exigem uma ação forte e intensa”, adiantou Berto Messias.

O governante falava, em Angra do Heroísmo, na leitura do comunicado do Conselho de Governo, reunido em Ponta Delgada, que decidiu, entre outras medidas, aprovar a constituição da equipa de coordenação da Rede de Polos Locais de Desenvolvimento e Coesão Social.

“Esta medida é também a materialização dessa estratégia, sempre numa postura de proatividade, mas de grande seriedade nesta abordagem, sem instrumentalizar aqueles que infelizmente ainda são vítimas do fenómeno da pobreza”, frisou.

A equipa de coordenação tem agora 30 dias para constituir “equipas locais multissetoriais”, que serão responsáveis pela operacionalização dos Polos Locais de Desenvolvimento e Coesão Social, integrados na Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social dos Açores.

Os locais identificados pelo executivo açoriano com necessidade de intervenção prioritária são Água de Pau, no concelho da Lagoa, Arrifes, no concelho de Ponta Delgada, Fenais da Ajuda e Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, e Terra Chã, no concelho de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

“O inquestionável desenvolvimento económico e social da região, comprovado por vários indicadores ao longo dos últimos anos, faz com que o fenómeno da pobreza não possa ser tratado como uma matéria transversal e homogénea em todo o território regional”, salientou Berto Messias.

O vice-presidente do PSD/Açores e deputado à Assembleia da República António Ventura acusou, na segunda-feira, o Governo Regional do PS de promover a dependência da população, salientando que 30,5% dos açorianos vive em risco de pobreza.

“Nos Açores, temos um Governo que provoca pobres para depois os pobres dependerem dele, porque enquanto os pobres dependerem do Governo não há desenvolvimento e eles mantêm-se no poder. Esta é a estratégia usada há 22 anos: é criar pobres para depois estarem de mão estendida, para dependerem do Governo”, apontou.

O Conselho de Governo aprovou ainda a nova regulamentação do programa “Berço de Emprego”, que passa a abranger “todos os trabalhadores em situação de licença parental inicial ou por adoção, independentemente do género, através da sua substituição no respetivo emprego por beneficiários das prestações de emprego, sendo igualmente indiferente o género”.

O executivo açoriano decidiu também lançar o concurso público para a empreitada de requalificação e restauro do Convento e Igreja de Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como Igreja do Carmo, em Ponta Delgada, “com um valor base de um milhão de euros”.

“Este investimento é consequente aos recentes achados arqueológicos no edifício classificado e espaços contíguos, que influenciam fortemente a estrutura arquitetónica e espacial de toda a zona conventual e santuário”, disse Berto Messias.

 

foto/DR

Lusa/AExpresso Online