Desafios de Lideranças – Opinião Sofia Ribeiro

Escrevo esta crónica ainda em choque após se ter confirmado que o PSD/Açores não apresenta nenhum candidato às Europeias. É uma situação inédita no PSD, em que Rui Rio mostra não estar à altura de um Partido que, defendendo as Autonomias, compreende a sua relevância para o desenvolvimento do País, fomentando-a. Faltou, ainda, estratégia para evitar um desfecho que era previsível.

O processo de indicação de um representante Açoriano em lugar elegível foi muito mal conduzido desde o início, mais discutido através dos meios de comunicação social do que nos órgãos internos do Partido. Ficámo-nos por uma mediania que se pagará muito caro e que agora exige medidas drásticas.

Alexandre Gaudêncio, na reacção à decisão final nacional disse: “Apraz-me dizer antes morrer livres que em Paz sujeitos”. A mim, nada disto me apraz. A nossa divisa não pode ser utilizada como paliativo, justificativo de uma inacção passada, antes tem de ser o mote para a acção, a luta pelo respeito pelo PSD/Açores como estrutura autónoma e não como uma mera distrital. O PSD/Açores vai ter de montar uma estratégia para recuperar a capacidade de influência duramente conquistada pelos nossos fundadores e posta a perder em poucos meses.

Assim, torna-se fulcral a antevisão dos efeitos das escolhas que venham a ser tomadas, num processo que não pode ser isolado no tempo e no espaço, antes articulado a vários níveis, multiplicando apoios em torno da nossa causa. Importa antever qual a eficácia de uma guerra a Rui Rio através de um mero bloqueio à campanha. Sairá o Presidente do PSD beliscado? Será esta a estratégia adequada para a defesa do respeito pelas autonomias e pela ultraperiferia? Ou será mais conveniente ao PSD/Açores afastar-se da liderança do PSD nacional para não ter de partilhar os maus resultados que lhe perspectiva? Não será, também, uma estratégia para deslocar as atenções mediáticas para uma disputa interna, afastando-as da crítica perante a inabilidade de se conseguir um bom lugar?

Imputar exclusivamente ao PSD nacional a responsabilidade dos Açores não terem um lugar elegível, não deixa de constituir um sinal de submissão. Somente aquele que sobressai pelo seu valor pode ser verdadeiramente livre. Isto implica assumirmos, em todas as fases, as consequências dos nossos actos, apoiados pelo Povo e submetidos a sufrágio. Como referi no último Conselho Regional do PSD/Açores, não podemos abster-nos de participar no acto mais nobre da cultura democrática, que constitui todo um procedimento eleitoral. Os Açorianos certamente penalizarão o PSD, nas próximas eleições, pelas escolhas feitas, mas não podemos deixar de nos dirigir ao eleitor. Se o fizermos, perdemos legitimidade futura e espaço de intervenção. O eleitor tem o direito de estar informado e o PSD/Açores não pode demitir-se do projecto Europeu. Tem o dever de contribuir para o debate democrático em torno das questões europeias, respeitando, assim, o eleitor.

Resta saber como vai o PSD/Açores proceder. Não pode continuar tímido nas reacções. Não pode fazê-lo fechado nas cúpulas do Partido, tem de se dirigir aos Açorianos. Esta não pode ser uma guerra de dirigentes, tem de ser uma conquista envolvendo os militantes Social-democratas.

 

foto/Sofia Ribeiro

Sofia Ribeiro