Apagão em novembro na ilha do Corvo para salvar as aves marinhas

A iluminação pública da ilha do Corvo vai sofrer um apagão na noite de 1 de novembro, uma iniciativa para sensibilizar para a ameaça que a poluiçao luminosa representa para as aves marinhas.

“O Festival Lusco-Fusco associado a um apagão geral da iluminação pública na ilha do Corvo pretende sensibilizar a população e servir de exemplo e incentivo para outros municípios dos Açores, de modo a reduzir o encandeamento das aves além das campanhas de resgate, facilitando o seu regresso ao mar e a sua sobrevivência”, adiantou a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

Nma nota enviada à agência Lusa, a SPEA explica que “o Festival Lusco-Fusco, associado a um apagão geral da iluminação pública na ilha do Corvo”, decorre a partir das 21:00 do dia 1 de novembro e até às 5:00 de dia 2 de novembro.

Esta iniciativa da SPEA, Câmara Municipal do Corvo e Parque Natural de Ilha do Corvo será realizada no âmbito do projeto Interreg LuminAves que “tem como objetivo principal mitigar o impacto da poluição luminosa nas aves marinhas e desenvolver uma estratégia de mitigação para esta ameaça ao nível da Macaronésia” (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde).

“Esta estratégia tem em conta o impacto desta ameaça sobre as aves marinhas e também a política de eficiência energética, ficando sempre patente que ambas devem ser avaliadas em sinergia, dada a importância que a região tem para estas espécies e as metas de conservação e turismo sustentável almejados”, sublinha a organização que trabalha para a conservação das aves e dos seus habitats em Portugal.

Associado a este “apagão”, uma iniciativa que a SPEA sublinha ser “pioneira”, será realizado um conjunto de atividades desde a habitual brigada diária pela Vila do Corvo para salvar cagarros juvenis encadeados, a ações que contam com a participação de diversos voluntários e com o apoio do bar dos Bombeiros da mais pequena ilha açoriana.

A SPEA alerta que “as aves marinhas são o grupo de aves mais ameaçado do mundo, em particular pelas capturas acessórias, predadores introduzidos, destruição de habitat, alterações climáticas, lixo marinho e a poluição luminosa”.

De acordo com a SPEA, esta iniciativa na noite de 1 de novembro junta-se “a outras atividades que a Câmara Municipal do Corvo tem vindo a desenvolver desde 2017, nomeadamente o desligar da iluminação pública durante os períodos mais críticos na campanha SOS Cagarro, de maiores quedas da ave.

A SPEA promove também outras iniciativas, com a parceria do Parque Natural de Ilha do Corvo, como a campanha SOS Estapagado (uma ave marinha).

Através da campanha SOS Estapagado, nos últimos 10 anos durante o mês agosto, salvou-se esta outra ave marinha, mais pequena e desconhecida nos Açores, mas que também sofre de encadeamento, contribuindo para tornar a ilha do Corvo num santuário para as aves marinhas, adianta a SPEA.

foto/DR

Lusa/AExpresso Online