Presidente do PSD/Açores quer saúde como prioridade para os próximos dez anos

O presidente do PSD/Açores disse ser necessário “investir e dar prioridade” às políticas de saúde na região durante a próxima década para a aquisição de novos equipamentos e para a renovação de recursos humanos.

“É preciso investir e dar prioridade à saúde nos Açores nas políticas e também no orçamento. É fundamental garantir para uma próxima década, não só [a aquisição de] novos equipamentos, como renovar a capacidade instalada”, declarou José Manuel Bolieiro num vídeo no Facebook, acompanhado pela presidente do Conselho Médico da Ordem dos Médicos nos Açores, Isabel Cássio.

O líder social-democrata referiu que o Serviço Regional de Saúde tem de ter “capacidade de prestar serviços a todos os açorianos”, independentemente da ilha de origem, defendendo a criação de uma estratégia para captar profissionais de saúde para a região.

“É preciso ter uma estratégia de captação de profissionais altamente qualificados, seja pelo estatuto remuneratório, seja pela capacidade de envolvimento na sua formação profissional, [seja] nas suas facilidades para se tornar residente”, apontou.

O presidente do partido nos Açores referiu que alguma da “capacidade instalada” nos serviços de saúde do arquipélago está “desgastada” e “eventualmente já desatualizada”, pelo que é necessário “fazer investimento na saúde”.

“Qualquer açoriano, qualquer contribuinte, mesmo a solidariedade nacional e a solidariedade comunitária não deixarão de compreender a importância da saúde num arquipélago como os Açores, uma região ultraperiférica”, disse.

Bolieiro defendeu a utilização da “telemedicina” (consultas à distância) e a “possibilidade de visita de médicos especialistas” às ilhas com carência de especialidades médicas, frisando que apenas existem três hospitais nos Açores: em São Miguel, no Faial e na Terceira.

O líder do PSD/Açores considerou que, nos “últimos anos”, as políticas de saúde nos Açores não têm sido eficazes.

“É preciso encontrar soluções que não sejam apenas bem-intencionadas, mas eficazes na sua concretização. Eu penso que nós vivemos na saúde nos últimos anos muitas boas intenções e pouca eficácia concreta”, afirmou.

A responsável pela Ordem dos Médicos nos Açores, Isabel Cássio, afirmou que a política de saúde na região deve ser “baseada na medicina geral e familiar”, passando o médico de família a ser o “gestor do doente”.

Cássio realçou que deveriam existir médicos na Secretaria da Saúde do Governo dos Açores, atualmente liderada pela farmacêutica Teresa Luciano, adjuvada pelo diretor regional Tiago Lopes, enfermeiro de profissão.

“Nós [Ordem dos Médicos] discordamos que uma Secretaria Regional da Saúde não tenha um médico. Isso é logo um primeiro problema. A seguir, quando nós tentamos ser parceiros construtivos, não fomos também muito tidos em conta, nomeadamente nesta situação especifica [da pandemia de Covid-19]”, concluiu.

foto/DR

Lusa/AExp. Online