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Açores Expresso

Editor / Diretor: João Edgardo Vieira

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Grupo SATA fechou o ano de 2020 com prejuízo de 88 milhões de euros

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Jul 8, 2021

Pandemia provocou um prejuízo recorde nas contas da transportadora aérea açoriana. SATA Internacional registou prejuízo de 68,3 milhões de euros, enquanto a SATA Air Açores apresentou prejuízo de 17,7 milhões de euros

O grupo SATA terminou o ano de 2020 com um resultado negativo de 88 milhões de euros, segundo os dados revelados no Relatório e Contas.

O resultado líquido da transportadora aérea açoriana registou um agravamento de 65 por cento, comparando com os valores de 2019, quando se registou um prejuízo de 53 milhões de euros.

A SATA Internacional – Azores Airlines apresentou um resultado líquido negativo de 68,3 milhões de euros, enquanto a SATA Air Açores apresentou um resultado negativo de 17,7 milhões de euros.

O Relatório e Contas explica que a rubrica de gastos com a reestruturação, relacionados com acordos de reforma antecipada, pré-reforma e programa de saídas antecipadas assumiu um valor de 19 milhões de euros, contribuindo ainda mais para o agravamento do resultado negativo.

A empresa açoriana contava no final de 2020 com uma dívida líquida de 271,1 milhões de euros, sendo que o capital próprio da SATA passou de -230 milhões para -369 milhões. “Esta redução resulta do processo de regularização dos aumentos de capital realizados em exercícios anteriores da SATA Air Açores, medida exigida pela Comissão Europeia. Esta devolução ao acionista leva à redução nominal do capital social do Grupo SATA, redução esta que, associada à incorporação dos resultados negativos, remete o total do capital próprio do grupo SATA para 369 milhões de euros negativos”, explica o Relatório e Contas.

A empresa contava em 2020 aumentar o número de voos da SATA Internacional, sobretudo para a América do Norte e Europa, mas o contexto da pandemia acabou por alterar os planos e provocou uma redução substancial do número de voos e passageiros transportados.

No total foram realizados menos 3.041 voos, em comparação com os voos realizados em 2019  (diminuição de 6.962 para 3.921 voos).

Também na SATA Air Açores existia um plano para aumentar as ligações interilhas, mas a pandemia provocou uma redução de 4.700 voos, em comparação com os voos efetuados no ano anterior.

Situação financeira grave

O presidente do conselho de administração do grupo SATA, Luís Rodrigues, reconhece que já existia uma situação financeira muito grave, antes da pandemia de Covid-19, que acabou por obrigar a avançar com um processo de reestruturação da transportadora aérea açoriana.

“Foi confiado a este conselho de administração o papel de conduzir o grupo SATA para melhores caminhos do que os que haviam sido trilhados em anos anteriores.

“Estávamos longe de imaginar que, para além da necessidade de transformação inerente a uma situação económico-financeira muito difícil, iríamos cumulativamente enfrentar o pior ano de sempre na história da aviação”, afirma Luís Rodrigues.

A SATA acabou por sentir a necessidade, à semelhança da generalidade das transportadoras aéreas, de recorrer ao pedido de auxílio de emergência junto da Comissão Europeia.

“Dada a situação que o grupo apresentava anteriormente, as regras do Tratado de Funcionamento da União Europeia decretavam que no caso do grupo SATA, não haveria lugar a um auxílio ‘normal’ para enfrentar a pandemia. Por força das regras, o auxílio revestia-se de um processo ao abrigo das regras de resgate e reestruturação”, clarificou o presidente do conselho de administração.

No âmbito desta operação, a Comissão Europeia determinou a devolução de cerca de 73 milhões de euros da SATA ao Governo Regional, relacionados com aumentos de capital realizados em 2017, 2018 e 2019.

Foi ainda apresentado um plano de reestruturação, com medidas de contenção de despesas da companhia açoriana, que está a aguardar a aprovação pelas instâncias europeias.

“Preparemo-nos para, em 2021 e nos anos seguintes, capitalizar todo o esforço da organização na redução de custos, aumento de eficiência e melhoria do serviço prestado aos nossos clientes, por forma a que nos seja permitido voltar a voar livremente”, concluiu Luís Rodrigues.

foto/ JEdgardo

AO/ AExpresso